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1.9.16

setembro e situações

Eu não sei se as pessoas queriam muito que agosto acabasse ou queriam muito que setembro começasse, só sei que a galera tava insistindo numa de agosto eterno que eu eu não vivi. Pelo contrário, passou foi muito rápido. Talvez pelo fato de eu estar vivendo o agora e não o depois. Quando você vive o agora você não sente a vida passar. Quando você se dá conta, passou. E isso é muito bom, quando você está realmente vivendo. Fazendo valer cada segundo. 

Hoje voltando pra casa presenciei uma situação que me fez pensar. Estava no ônibus quando entrou um senhor, ele passou o cartão na máquina e o motorista precisava validar pra ele passar na roleta. O senhor continuou tentando passar mas roleta estava travada (o motorista ainda não tinha liberado). Como passou um tempo e a roleta não foi liberada o senhor precisou passar o cartão de novo. E outra vez ele tentou passar na roleta mas o motorista não tinha liberado. Ele pediu para o motorista liberar a roleta, o motorista simplesmente falou que ele tinha que esperar (em um tom de voz bem alterado), o senhor explicou que estava pedindo pois era a segunda vez que ele passava o cartão, o motorista em tom de voz mais alterado que na primeira vez disse que o problema era dele. Bem com essas palavras. "O problema é seu". Enfim eles ainda levaram alguns minutos de bate boca.

De toda essa situação o que mais me chamou a atenção foi "o problema é seu" e a força dessas palavras juntas. As palavras tomam sentidos diferentes acompanhando as diferentes combinações. A combinação dessas quatro palavrinhas é muito pesada. Ouvir aquilo, mesmo que não fosse direcionado para mim, me deixou muito mal. 

Ultimamente tenho tentando ao máximo me colocar no lugar do outro. Me ver no outro. Naquele momento eu tentei me ver em cada um deles. O motorista e o senhor. Olhando pelo ponto de vista do motorista, talvez ele estivesse em um dia ruim, talvez não fosse da vontade dele estar ali, trabalhando com aquilo, enfrentando trânsito. Por outro lado, talvez também não fosse da vontade do senhor estar ali, pegando um ônibus, enfrentando trânsito (mesmo que de um modo diferente do que o motorista). 

Nós temos o costume de procurar uma base justificar nossas atitudes por mais abusivas, erradas, más, que elas sejam. Achamos que nós sempre temos um motivo para estar estressado. E para descontar esse estresse em outras pessoas. Achamos ainda que o motivo de estarmos estressados é maior (mais válido) que o motivo do outro estar estressado. Ou seja, tomei uma atitude errada com você mas olha a minha situação, enfrento o trânsito todos os dias. E ai o outro vem e diz, mas isso não justifica, eu passo por isso isso isso isso (e ai ele vai dizendo algo que ele acredita ser pior do que o que o outro sofre). 

Nós precisamos parar de procurar justificativas para nossas falhas. Muitas vezes isso acontece involuntariamente. Mudar nossas atitudes é difícil, e envolve uma luta diária contra nós mesmos. Achamos facilmente um motivo para justificar nosso erro em relação ao outro. Que tal procurar um motivo para justificar nosso acerto em relação ao outro? Imaginar algo que te fez feliz naquele dia (sempre tem algo, por menor que seja) e pensar como levar essa felicidade para o outro. Chegar um pouquinho pro lado no ônibus/metrô/trem cheio pra pessoa que está apertada do seu lado ficar um pouquinho mais confortável, segurar a mochila de alguém que está em pé, deixar que aquelas palavrinhas mágicas que aprendemos na escolinha saiam facilmente, ceder o lugar para alguém que parece mais cansado que você, atitudes simples que podem SIM fazer a diferença na vida de alguém. 

2 comentários:

  1. sobre a demora ou não de agosto, até um tempo atrás eu não odiava as segundas-feiras, nem sentia que os meses eram demorados ou não. mas parece que a ansiedade me pegou de jeito. ou, como um amigo compartilha por aí: você não odeia segundas-feiras, você odeia o capitalismo. é quando estamos mais cansadas(os) que a ansiedade vem. é uma droga, você vive esperando para viver, basicamente.
    já presenciei cenas parecidas com a sua, muitas vezes o passageiro é o que começa tudo."eu dei o sinal, você não parou!" - a maioria das vezes que presenciei ou não deu sinal ou estava sem som/luz e o motorista não percebeu. muitas vezes comentam "por que idoso tem que sair de casa em horário de pico? por que dar lugar ao idoso se eu trabalhei o dia inteiro e estou cansada(o)?" falta muita empatia. infelizmente não consigo fazer sempre essas análises boas que você faz. só fico com mais raiva da pessoa que considero errada, do que ela própria com a situação que criou.
    o mundo num geral está cada vez menos compreensivo em muitos aspectos (melhora em outros, mas não sei mensurar qual lado está "ganhando").

    gostei bastante daqui!
    Um Velho Mundo

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    1. falta muita empatia mesmo Helen!!!
      e na real, pensar assim é um exercício sabe? já presenciei outras situações e muita primeira reação foi realmente sempre raiva da pessoa que achei estar errada e passar a viagem toda olhando de cara feia para ela. mas aí o tempo vai passando a gente vai percebendo que isso não vai adiantar de nada. a gente vai aprendendo com as situações. em tudo que acontece eu sempre tento sugar o máximo de aprendizado que eu puder. às vezes é difícil e às vezes eu não consigo. mas é só continuar tentando que a gente consegue!

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